O Uso de Métodos Anticoncepcionais no Islam
 

 

 

O Uso de Métodos Anticoncepcionais no Islã

 


 

 

A anticoncepção é praticada desde o tempo do profeta (SAWS) mas ele deixou claro que a decisão de adotá-la deve ser tomada de comum acordo entre marido e esposa. Este entendimento é consistente com a idéia de que o comportamento sexual entre o casal não está limitado à procriação. A recomendação geral para a nação islâmica é procriar e aumentar seu número, mas a qualidade dos indivíduos é também enfatizada pelo profeta (SAWS). Em um de seus "hadiths" o profeta (SAWS) disse:

"Chegará um dia quando outras nações cairão sobre vocês como famintos sobre um prato de comida." Quando perguntado se isto ocorreria devido ao número reduzido dos muçulmanos ele disse: "Não. Naquele dia vocês serão muitos, mas serão como espuma na superfície de uma torrente."

Existem entretanto juristas muçulmanos conservadores que restringem a prática da anticoncepção a casos de necessidade que incluem recomendação médica para preservar a saúde da mulher e o desejo de estabelecer um intervalo entre uma gravidez e outra de modo que a mãe possa amamentar o bebê pelo tempo prescrito no Alcorão (2 anos). Entretanto estes juristas condenam o uso de métodos anticoncepcionais com a intenção de limitar o número de filhos por exemplo e o seu uso por tempo indeterminado, exceto, como já foi mencionado acima, em caso de recomendação médica. Eles baseiam suas opiniões em um "hadith" do profeta (SAWS) que diz:

"Case com mulheres carinhosas capazes de procriar porque eu devo superar os povos através de vocês no Dia da Ressurreição".

O profeta (SAWS) não proibiu o uso de métodos anticoncepcionais e não mencionou nem estipulou condições para sua prática exceto a concordância da esposa no caso de "coitus interruptus" (método utilizado na época do profeta (SAWS)), uma vez que este método pode impedir seu prazer sexual e pelo fato de que a esposa tem direito de participar da decisão de ter ou não filhos. Muitos juristas e teólogos entendem que uma vez que a prática do "coitus interruptus" era corrente na época do profeta (SAWS), por analogia o uso  dos métodos anticoncepcionais disponíveis na atualidade também são permitido. O uso de métodos anticoncepcionais femininos, como a pílula por exemplo, requer a concordância do marido em consideração por seu desejo de ter filhos, da mesma forma que é exigido o consentimento da esposa para a prática do "coitus interruptus".

Na maioria dos "hadiths"  onde o profeta (SAWS) se refere ao "coitus interruptus" ele menciona que se Deus decidir que uma criança nasça ele/ela nascerá. Embora os métodos usados na atualidade sejam muito efetivos, nenhum deles oferece 100% de garantia de que uma gravidez não irá ocorrer e assim, como sempre, a vontade de Deus prevalece em um tema como a concepção.

Em relação a métodos de anticoncepção definitivos como a esterilização, a posição da maioria é de restringi-la a casos de necessidade médica, onde uma nova gravidez poria em risco à saúde da mulher. Considerando que os métodos anticoncepcionais normais não previnem a gravidez totalmente, a esterilização é aceita neste caso. Mas existem os que ampliam esta permissão para as mulheres que já tem um número razoável de filhos e cujo fim de sua vida reprodutiva esteja próximo. Em qualquer caso é requerido entretanto o consentimento de ambos, marido e esposa.

Sendo assim a posição dos juristas muçulmanos em relação ao uso de métodos anticoncepcionais vai desde a restrição de seu uso a casos de necessidade até a sua aceitação por razões variadas a critério do casal. É unânime entretanto que a preservação da saúde da mulher e dos filhos já existentes é motivo suficiente para o uso de métodos anticoncepcionais, mesmo entre os juristas e teólogos mais conservadores.

Uma vez que existem elementos tanto no Alcorão quanto na "sunnah" autêntica do profeta (SAWS) para apoiar todas estas interpretações, pode-se dizer que todas são legítimas e que a adoção de uma ou outra corrente de pensamento em relação a este tema depende do entendimento pessoal de cada muçulmano e/ou muçulmana.

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