O Apartheid Está Vivo e Bem
 

 

 

O Apartheid Está Vivo e Bem

 


   

Legisladores, intelectuais e oficiais do governo israelense estão explorando ‘soluções possíveis’ para o crescimento demográfico palestino em Israel e territórios ocupados, com soluções variando de deportação coletiva à apartheid institucionalizado.

 

Encontros, seminários e simpósios estão sendo realizados no estado judaico com a mesma mensagem: a menos que Israel faça algo para conter o crescimento da população palestina, os judeus se tornarão uma minoria na área do mandato palestino pré-1948 (Israel e territórios ocupados) dentro de 19 anos.

 

 

Dia 16 de julho passado o Knesset de Assuntos Estrangeiros e o Comitê de Defesa mantiveram uma ‘sessão exploratória’, na qual os participantes discutiram ‘a ameaça demográfica árabe’ e os ‘perigos para a sobrevivência de Israel como um estado judaico.’

 

O encontro foi atendido por vários especialistas, incluindo Arnon Sofer da Universidade de Haifa, que defendeu ‘soluções radicais para solucionar o problema demográfico’ enfrentado por Israel.

 

Sofer destacou que por volta do ano 2020, se as tendências demográficas não forem revertidas, os judeus no mandato palestino serão uma minoria, superados em número pelos árabes em 20 por cento.

 

Membros do Knesset árabe denunciaram o encontro como ‘racismo puro’ e um ‘grande escândalo em um estado que alega ser civilizado e democrático’.

 

O membro do Knesset Isam Makhoul, da Frente Democrática para a Paz e Igualdade, disse que ‘se algo semelhante fosse discutido em qualquer lugar no mundo, seria condenado como racismo, mas aqui, em um estado que clama ser a única democracia do Oriente Médio, nós vemos legisladores respeitados discutindo meios de conter a média de nascimentos de um determinado segmento da sociedade, porque eles não tem a raça e a religião certas. É racismo, é repugnante’.

O legislador e antigo ministro da Justiça israelense Dan Meridor, que presidiu o encontro, argumentou que era imperativo que os membros do Knesset compreendessem a situação demográfica, crucial para a continuação do empreendimento Sionista e uma maioria judaica.

 

 

Quando perguntado porque apenas o crescimento demográfico árabe estava sob discussão, Meridor disse que Israel era um estado judaico, e que era inadmissível que fosse permitido a não-judeus serem maioria da população no estado.

 

 

Poucos meses atrás, planejadores estratégicos israelenses se encontraram a portas fechadas em Hertzlya, no nordeste de Israel, para discutir ‘soluções adequadas para lidar com a ameaça demográfica.’  A imprensa hebraica relatou que a ‘idéia de expulsão’ foi amplamente discutida no encontro, e que desfrutou de ‘aceitação sem precedentes’ entre os participantes.

 

 

Além da solução de ‘transferir’ um número significativo da população não-judaica para fora de ‘Eretz Israel’, os participantes também discutiram outras alternativas, incluindo apartheid institucionalizado (não-judeus teriam direitos civis, mas não direitos políticos), esterilização forçada, imigração induzida (através de pressão econômica), e ‘outras soluções’.

 

 

De acordo com fontes israelenses, muitos isralenses que se opõem à adoção de ‘transferir’ como uma política oficial não se opõem necessariamente ao princípio de expulsar os palestinos, mas são desencorajados pelo que eles chamam de ‘dificuldades logísticas impedindo a execução da idéia’.

 

Além disso, alguns elementos de direita e religiosos em Israel acreditam que o governo deve procurar induzir uma guerra regional, na esperança de criar condições para expulsar um número significativo de palestinos.

 

Os palestinos, por sua parte, estão cientes das discussões em Israel, e reafirmam que não repetirão o desastre de 1948.

 

‘Nós não permitiremos que eles (Israel) nos expulsem daqui novamente. O pior que eles podem fazer é nos matar, mas nós não sairemos novamente’, disse o oficial da Autoridade Palestina Ahmed Abdel-Rahman em entrevista recente.

 

 

Texto: Versão editada de notícia publicada dia 19 de julho de 2001 no jornal egípcio Al-Ahram Weekly, com o título 'Apartheid is Alive and Well' de Khaled Amayreh.

 

A notícia na íntegra, em inglês, pode ser lida no endereço: 

 

http://www.ahram.org.eg/weekly/2001/543/re3.htm

 

 

 

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