MOHAMMED NA BÍBLIA

 

   

MOHAMMED NA BÍBLIA

                                                                                                   Por Jamal Badawi

 

Traduzido por Hasina Abdu e revisado por Mônica Muniz.

 

 

Referência à Bíblia: É legítimo que os muçulmanos se refiram ou se reportem a partes da Bíblia?

 

A atitude dos muçulmanos perante a Bíblia tem sido erroneamente interpretada de dois modos extremos:

 

a) os muçulmanos baseiam sua fé parcial ou inteiramente na Bíblia;

b) os muçulmanos rejeitam a Bíblia totalmente, não aceitando nenhuma palavra nela contida.

 

Para os muçulmanos, o Alcorão é o último, mas não o único, livro que Deus revelou à humanidade através de Seus Mensageiros. Apesar de nao ser a única revelação de Deus, o Alcorão é o único livro que foi preservado desde a sua revelação.  Foram preservados não só o seu conteúdo, mas também o seu formato e a língua (árabe) em que foi primeiro recitado pelo Profeta Mohammed (que a paz esteja com ele) [1] . Nada foi adicionado, retirado ou interpolado em seu conteúdo.  Para os muçulmanos, o Alcorão é a  única revelação definitiva e autêntica que resta à humanidade; definitiva, pois um estudo objetivo do Alcorão claramente demonstra sua origem divina; e autêntica, pois há evidências de que o Alcorão foi transmitido na forma em que foi revelado, sem ser misturado com idéias e doutrinas humanas e filosóficas. Os muçulmanos, portanto, não precisam  basear-se, inteira ou parcialmente, em outras escrituras.

 

Por outro lado, a idéia de que os muçulmanos rejeitam a Bíblia completamente, sem aceitar sequer uma passagem nela contida, é incorreta. Isto pode ser justificado por, pelo menos,  duas razões:

 

a)     Um dos principais artigos de fé no Islam é a crença em todos os profetas e mensageiros enviados antes da chegada do último profeta, o Profeta Mohammed. Como consequência, muçulmanos também devem acreditar nos livros sagrados revelados àqueles profetas, nas suas formas originais (exatamente como foram revelados)[2].  

 

b)     De acordo com o Alcorão, todos os profetas eram muçulmanos (ou seja, aqueles que se submeteram consciente e amorosamente à vontade de Deus), seus ensinamentos eram versões do Islam (submissão consciente e amorosa a Deus) e seus seguidores sinceros  também eram muçulmanos[3]. O fato de a transmissão de revelações anteriores ao Alcorão terem sido incorretas e interpretadas erroneamente, não justifica a total e categórica rejeição a essas escrituras. Supõe-se que existam partes da Bíbilia cuja essência, e até mesmo as palavras, não deve ser rejeitada por muçulmanos.

 

Critério para Aceitar a Bíblia

 

Qual o critério usado pelos muçulmanos para aceitar ou rejeitar partes ou passagens da Bíblia?

 

O Alcorão contém tal critério:

“E Nós te revelamos a Escritura com a verdade, confirmando quaisquer Escrituras passadas.Julga-os, pois, conforme o que Deus revelou ...” (Alcorão 5:48)

Este verso destaca dois aspectos principais do Alcorão:

a)     O Alcorão confirma os ensinamentos ou partes que se mantiveram inalteradas nas escrituras passadas.5

b) O Alcorão é a última revelação completa, definitiva e autêntica, sendo o árbitro final e o único critério para corrigir os erros que possam ter ocorrido durante a transmissão das escrituras anteriores. O Alcorão nos ajuda a detectar adições ou interpolações feitas em revelações passadas, e até mesmo a revelar partes que foram eliminadas séculos antes de sua revelação (do Alcorão). De fato, um dos nomes do Alcorão é Al-Furqan (o critério usado para distinguir o certo do errado, a verdade do falso).

Daí que não se justifica o muçulmano rejeitar a essência das partes da Bíblia que são confirmadas pelo Alcorão.[4] Por exemplo, nós lemos a reiteração de um dos Dez Mandamentos no Novo Testamento:

“E Jesus lhe respondeu. O primeiro mandamento é: escute, ó Israel; o Senhor nosso Deus é um Senhor” (Marcos 12:29)

 

 Ao ler essa passagem na Bíblia, e ao compará-lo com o Alcorão, não é possível que um muçulmano faça objeção à sua essência. O Alcorão confirma:

“Diz Ele é Deus, O Deus e o Único (Deus)” (Alcorão 112:1)

 

Entretanto, se um muçulmano encontrar na Bíblia, ou em outras escrituras passadas, profetas sendo acusados de cometer sérios pecados morais, ou doutrinas negadas pelo Alcorão, ele deve aceitar somente o Alcorão como a verdade preservada e original revelada por Deus.

Da mesma forma, não é estranho ou errado referir-se a profecias descritas na Bíblia (ou em outras escrituras) sobre a chegada do Profeta Mohammed, se estas profecias tiverem sido confirmadas no Alcorão.

    

Profecias no Alcorão

 

Existe uma explicação ou prova no Alcorão de que a Bíblia contém profecias   sobre a chegada do Profeta Mohammed?

      

As revelações originais entregues a profetas no passado, continham uma descrição completa e clara da chegada do Profeta Mohammed. Até mesmo no seu formato atual (ou formatos), a Bíblia ainda contém várias profecias (serão descritas nos próximos capítulos).

 

Começaremos documentando a afirmação acima:

 

a)     Ao descrever os verdadeiros crentes, o Alcorão afirma:

 

“São aqueles que seguem o mensageiro, o Profeta que não sabe ler nem escrever, descrito na Torá e no Evangelho (que estão com eles), que recomendam o bem e lhes proíbe o ilícito, recomenda-lhes o certo e proibe o que for errado,alivia-os dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem. Aqueles que nele creram, honraram-no, defenderam-no e seguiram a Luz que com ele foi oenviada, são os bem-aventurados.”  (Alcorão 7:157)”

 

O verso acima indica que as características e os ensinamentos do “Apóstolo, o Profeta analfabeto” foram mencionados na Torá e no Evangelho.

b)     Ao descrever o Profeta Jesus (que a paz esteja com ele), o Alcorão afirma:

“E quando Jesus, filho de Maria, disse: `O filhos de Israel: Eu sou o mensageiro  que lhes foi enviado por Deus, confirmando o que foi revelado na Torá antes de mim, e trazendo as boas novas sobre um mensageiro  que virá depois de mim, cujo nome será ‘o louvado ‘ (Ahmad). E, mesmo assim, quando ele lhes foram apresentados os  sinais claros, disseram: `Isto é pura mágica’. [5] (Alcorão 61:6)”

Um aspecto interessante do versículo acima é o fato de que a mensagem revelada pelo Profeta Jesus contém até mesmo o nome do futuro mensageiro: Ahmad, um outro nome do Profeta Mohammed. Este fato será discutido em detalhes mais tarde.

 

Nome ou Sinais?

Voltando à Bíblia, alguns podem apressar-se em perguntar: “Eu li a Bíblia várias vezes, mas nunca vi o nome Mohammed; Qual a razão do título ‘Mohammed na Bíblia?’”

Vários teólogos cristãos não hesitam em identificar partes de escrituras passadas que, segundo eles, profetizam a chegada de Jesus. Mas, qual a parte do Velho Testamento que contém o nome Jesus? Nenhuma!! O que deve ser verificado é se a descrição “daquele profeta” que virá foi concretizada ou não, e quem satisfaz tal descrição.

A descrição do Profeta Mohammed foi tão clara para muitos dos seus contemporâneos judeus e cristãos, que vários acabaram aceitando Islam e o Profeta Mohammed  como a realização de inúmeras profecias bíblicas. Desde então, vários outros têm chegado à mesma conclusão. Outros aspectos relacionados à possível menção do nome de Mohammed serão discutidos mais tarde.

Profecias Bíblicas sobre Jesus

Da discussão acima, podemos concluir que todas as profecias que se acreditava terem sido cumpridas no Profeta Jesus foram na verdade cumpridas no Profeta Mohammed?

Não há razão alguma para ignorar a possibilidade de Jesus ser o mensageiro profetizado em algumas passagens do Velho Testamento. Isto não é um problema para os muçulmanos. Baseado no Alcorão, os muçulmanos aceitam Jesus como um legítimo e grande profeta de Deus. Este fato foi reiterado nos ensinamentos (hadith) do Profeta Mohammed. Entretanto, várias profecias no Velho Testamento foram, por muito tempo, incorretamente interpretadas como descrevendo o advento de Jesus. Tais profecias,no entanto, referem-se de fato ao Profeta Mohammed. Um exemplo é a profecia em Deuteronômio 18:18, que será discutida mais tarde. A análise e reinterpretação de tais profecias não devem, de forma alguma, afetar a posição honrada e estimada do Profeta Jesus no coração dos muçulmanos. Pelo contrário, é a verdade revelada que o próprio Profeta Jesus teria proclamado se estivesse conosco hoje.

Os Principais Elementos Contidos na Descrição de Mohammed

Quais são os elementos da descrição ou “perfil” do Profeta Mohammed encontrados na Bíblia?

O “perfil” descrito na Bíblia inclui seis elementos principais:

-     A linhagem do profeta;

-         Suas características;

-         O lugar de onle ele viria;

-         A revelação que lhe seria entregue;

-         Eventos que ocorreriam durante a sua vida; e

-         A época em que ele viria

A Linhagem “Daquele Profeta”

- Profeta Abraão: o Pai Comum

Judeus, cristãos e muçulmanos afirmam ter o mesmo pai, o Profeta Abraão, o patriarca do monoteísmo. Como se parece a árvore genealógica da sua famíia? Uma simples olhada pode ajudar a mostrar figuras chaves da árvore genealógica da família Abraâmica. [6]

Abraão se casou com Sarah. Os descendentes desta união incluíram os seguintes profetas: Isaac, Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão e Jesus.

Abraão se casou com Hagar. Os descendentes desta união incluíram os seguintes profetas: Ismael e Mohammed.

De acordo com a Bíblia, Abraão casou-se primeiro com Sarah, que  era estéril e, portanto,  não lhe deu filhos.  (Genesis 16:1).

Na cronologia encontrada no Livro de Gênesis, mesmo antes dos filhos de Abraão nascerem, Deus lhe fez uma promessa importante:

“E Eu vos tornarei uma grande nação, e abençoar-vos-ei, e vosso nome tornarei grandioso; e vós sereis uma benção. E Eu abençoarei os que vos abençoam: e em vós todas as famílias do mundo serão abençoadas.” (Gen. 12:2-3)

 Num capítulo posterior no Livro de Gênesis (Gen. 16) somos informados de que Sarah, esperando que uma segunda esposa pudesse dar filhos ao seu marido,  deu a Abraão uma escrava (Hagar) para que este a tornasse sua esposa. [7]

Hagar deu à luz o primeiro filho de Abraão, cujo nome Ismael (que a paz esteja com ele), que signfica “Deus ouve”, foi dado pelos anjos (Gen. 16:11). Durante os quatorze anos seguintes,  Ismael foi o filho único de Abraão.

Depois do nascimento de Ismael e antes do nascimento de Isaac, a promessa de Deus, de abençoar as famílias do mundo através dos descendentes de Abraão, foi repetida:

“Quanto a mim, o meu pacto é convosco, e vós sereis o pai de várias nações.”(Gen. 17:4)

Uma outra surpresa estava à espera de Abraão.  Na sua velhice, sua primeira esposa Sarah estava por lhe dar o seu  segundo filho, Isaac (que a paz esteja com ele) (Gen. 21:5).

 

 A Bíblia narra que, cheia de ciúmes, Sarah pede que Abraão expulse Ismael e sua mãe Hagar, tendo estes que  viver no deserto de “PARAN” (Gen. 21:21).

 

 A promessa de Deus de abençoar os descendentes de Abraão foi de fato cumprida. Através de Isaac, o segundo filho de Abraão, vieram os profetas israelitas, incluindo Jacó, José, Moisés, Davi, Salomão[8] e Jesus (que a paz esteja com todos eles), o último profeta israelita[9]. O cumprimento da promessa de Deus pelo ramo israelita de Abraão está muito claro e demasiadamente articulado na Bíblia. Como a promessa foi cumprida pelo ramo ismaelita da árvore genealógica de Abraão? Ela foi de fato cumprida? Ou ainda está por ser cumprida?

 

Para começar, Deus nao esquece nem volta atrás em Suas promessas. É interessante notar que, enquanto a Bíblia contêm detalhes elaborados sobre o ramo israelita, o ramo ismaelita é virtualmente ignorado. Com a exceção de algumas referências esporádicas[10], os ismaelitas são virtualmente omitidos na Bíblia.

 

Se aceitarmos o fato de que Deus não volta atrás em Suas promessas (um pré-requisito de fé para qualquer crente em Deus), temos duas possibilidades:

a)     que tal promessa de benção já foi cumprida através dos profetas Israelitas:

b)     que a promessa ainda está por ser cumprida.

 

É fato bem conhecido que o último grande profeta do monoteísmo, o Profeta Mohammed,  cujos seguidores constituem um quinto da população mundial, é um descendente de Ismael.

 

Após serem abençoados como os descendentes de Isaac, os israelitas, durante séculos na liderança espiritual e depois de muito errarem e se revoltarem contra Deus, tiveram uma derradeira chance, através da missão do último profeta israelita, Jesus. Após Jesus ter sido rejeitado, já era tempo de que a promessa de Deus fosse cumprida: a promessa de fazer dos ismaelitas, até então obscuros, uma grande nação[11], por intermédio da missão do Profeta Mohammed, um descendente de Abraão, pelo lado de Ismael.  A mudança da liderança espiritual e profética para o ramo ismaelita dos descendentes de Abraão finalizou o cumprimento da promessa de Deus, de séculos antes, de abençoar as famílias do mundo através de Abraão, o pai de monoteísmo e patriarca respeitado por judeus, cristãos e muçulmanos.

 

Para qualquer mente imparcial, a evidência acima é suficiente para ilustrar a conexão entre os grandes profetas como Abraão, Isaac, Ismael, Moisés, Jesus e Mohammed.

 

Se as profecias sobre o advento do Profeta Mohammed são tão óbvias, como é que milhões de leitores da Bíbilia não puderam chegar à mesma conclusão?

Deixando de lado outras razões, por enquanto, parece que uma combinação de noções e interpretações errôneas são responsáveis, em parte, por esta situação. Vamos agora analisar algumas destas noções.

 

Objeção à Inclusão de Ismael no Pacto entre Deus e Abraão

 

 Ismael e seus descendentes foram excluídos do pacto e da promessa de Deus? Apesar de errada, uma resposta comum a esta pergunta é sim, e para qual são apresentadas várias razões:

 

a)     Ismael não era um filho legítimo de Abraão.

De acordo com os comentaristas do The Interpreter’s Bible:

 

 “Assim como Isaac, Ismael é um descendente de Abraão; mas Isaac é o filho prometido, nascido de Sarah a verdadeira esposa, enquanto Ismael nasceu de uma escrava. Apesar de se originar de Abraão, era certo que ele fosse separado do filho legítimo”.[12]

 

 

Este argumento não pode ser aceito, lógica ou moralmente, nem mesmo baseado nas versões da Bíblia. O estado de escravidão de Hagar impediu-a de se tornar uma esposa legítima de Abraão? Por que ela não foi uma esposa “verdadeira”? E se ela não foi uma esposa “verdadeira” como Sarah, que tipo esposa ela foi?7

 

  O texto da Bíblia, apesar da possibilidade de inserções e alterações, não  afirma tal fato. Em Gênesis 16:3, Hagar é descrita como esposa de      

          Abraão.[13]

Se Hagar foi uma esposa legítima de Abraão, não há razão alguma para se duvidar da legitimidade de seu filho Ismael. De fato, a Bíblia se refere a Ismael como a semente[14] de Abraão, o primeiro filho de Abraão.

 

Mesmo que Hagar fosse uma escrava, isto afetaria os direitos e privilégios do seu filho Ismael? A resposta está na Bíblia: na tradição hebraica, o primogênito era honrado em dobro, inclusive na herança, e este direito não podia ser alterado devido à condição da mãe.

 

No Interpreter’s Bible, lemos o seguinte comentário do verso 21:15-17,    em Deuteronômio:

 

“Entretanto, a lei da primogenitura tinha uma sanção antiga,  e ainda que fosse aceita, a justiça exigia que o simples favoritismo não devia permitir que o filho mais velho fosse privado  de seus direitos”[15]

 

Deve-se notar que Deus não endossa as atitudes humanas de superioridade ou exclusivismo étnico ou racial, e muito menos o ato de  inferiorizar qualidades espirituais e físicas da humanidade, por causa de um infeliz estado de escravidão. O sofisma da posição inferior de Ismael devido à posição social inferior de sua mãe não só contraria a lei judaica   (por exemplo   Deut. 21:15-17),  mas  também  a  natureza   moral,  humanista e universal da revelação de Deus.

 

b)     Somente Isaac foi o filho incluído na promessa e pacto com Deus.

Algumas vezes os seguintes versículos do Livro de Gênesis são referidos:

 

“Mas o Meu Pacto será estabelecido com Isaac” (Gen. 17:2)

“Pois sua semente será chamada em Isaac”(Gen. 21:12)

 

Uma questão interessante surge aqui: Será possível que o(s) escritor(es) deste livro (Gênesis), sendo israelita(s),  tenham inserido tais afirmações para favorecer sua própria tribo?

 

De acordo com The Interpreter’s Bible:

 

“Vários israelitas não queriam um Deus que também fosse Deus de todas as nações do mundo. Eles não queriam um que fosse imparcialmente Sagrado. Eles queriam um Deus que fosse parcial com eles. Então lê-se em Deuteronômio as ordens para a completa exterminação dos povos da Palestina que não fossem israelitas (Deut. 7:2) e para a realização desta injunção leia-se as rígidas sentenças em Deut. 20:10-17[16].”

A possibilidade de inserções no texto considerado revelação “original” é um fato que muitos estudiosos da Bíblia admitem prontamente, inclusive aqueles que são zelosos fiéis do cristianismo, como os editores e colaboradores do Interpreter’s Bible[17].

 

Por exemplo, é possível que a palavra “egípcia”, que aparece em Gênesis 16:3, referindo-se à Hagar, seja uma inserção, pois Hagar era, na verdade,  beduína, e não egípcia[18].

 

A possibilidade, ou mesmo a probabilidade, de inserções em Gen. 17:21 e 21:12, não excluem  Ismael  conclusivamente da promessa e pacto com Deus.

 

Os dois versículos podem ser considerados como referências ao futuro “próximo” que se estendeu através dos séculos, durante os quais o pacto com Deus e as sementes da missão profética estavam basicamente no ramo israelita da família de Abraão.  Tal limitação, entretanto, não implica na exclusão definitiva dos descendentes de Ismael. Ao examinar estes dois versículos (Gen. 17:21 e 21:12) no contexto de outros versículos do mesmo livro, fica evidente que os ismaelitas foram incluídos na promessa de Deus e Seu pacto com Abraão: i) O pacto de Deus com Abraão foi feito antes de leter filhos (Gen. 12:2-3). Isto foi reiterado depois do nascimento de Ismael e antes do nascimento de Isaac (Gen. 17:4)[19] ii) Apesar de Gen. 21:12 indicar que a semente de Abraão germinará através de Isaac, o versículo seguinte (Gen. 21:13) refere-se a Ismael como a semente de Abraão; iii) Ismael é especificamente abençoado da mesma forma que Isaac o foi no mesmo livro (Gênesis), estando, portanto, incluído na promessa de Deus.

 

“ … do filho da escrava (i.e., Ismael) farei uma grande nação pois ele é sua semente” (Gen. 21:13)

 

A promessa acima foi mais tarde confirmada nos versículos seguintes:

 

“Levante, carregue o menino, e o seguure na sua mão; pois eu o farei uma grande nação.” (Gen. 21:18)

 

É provável que quando Deus fala de “grandiosidade”, Ele não se refira simplesmente a  números. O Seu critério de “grandiosidade” é baseado em fé, herança espiritual e liderança religiosa.

 

c)      O “filho prometido” deve ser ou um ou outro: Isaac ou Ismael.

Isto é tipicamente expressado em afirmações como a seguinte:

“Isaac é separado como o herdeiro do Pacto. O fato de que o (suposto) filho mais velho de Abraão não se tornou herdeiro da Promessa divina é considerado em J2 em razão da fuga de Hagar antes do nascimento do filho (Ch. 16), e em E,  pela sua expulsão juntamente com seu filho (21:9-21)…”[20]

A esta altura pode se perguntar: i) Por que se deve ter somente um herdeiro da promessa divina? Por que não os dois filhos,  tendo em vista a evidência já discutida? ii) Que tipo de justiça divina castiga um filho inocente devido à fuga da mãe antes mesmo do seu nascimento (principalmente se a fuga foi causada pelo ciúme e maus tratos de Sarah)?  iii) Que tipo de justiça divina (ou mesmo bom senso) castiga um filho inocente pelo fato de sua mãe ser “expulsa” para satisfazer o ego da Sarah e abençoa seus ciúmes? Sarah estava ditando suas ordens a Deus também?

Por que Ismael e Hagar Foram Levados?

Se os muçulmanos também acreditam que Hagar (esposa de Abraão) e seu filho Ismael foram estabelecidos em um local diferente, qual a sua versão de história? E como esta versão se compara com a versão bíblica?

A Versão Muçulmana[21]

Deus ordenou ao Profeta Abraão que Hagar e seu filho Ismael fossem levados a um certo lugar na Arábia (Paran),  desértico e sem vida, mais especificamente Makkah (Mecca). O Alcorão relata que Abraão disse:

“Ó Senhor! Eu deixei parte dos meus filhos num vale deserto, perto de Vossa casa sagrada; para que, Ó Senhor,  eles observem as orações; Então encha os corações de alguns dentre os homens com amor a eles, e alimente-os com frutas, para que sejam agradecidos.” (Alcorão 14:37)

 

Quando Abraão estava prestes a deixar Hagar e Ismael sozinhos em tal deserto árido, ela lhe perguntou: “Onde você está nos deixando?” A pergunta foi repetida três vezes, mas, sem nenhuma resposta. Hagar então perguntou: “Deus lhe deu ordens para fazer isto?” Abraão disse: “Sim”. Em completa fé e confiança em Deus ela respondeu “Então Ele não permitirá que nosso sofrimento seja perdido.”.

 

Quando não lhe restava mais água, Hagar começou a caminhar rapidamente entre dois pequenos montes chamados As-Safa e Al-Marwah, à procura de água ou de algum viajante. Depois de caminhar sete vezes sem resultado, ela voltou para ver seu filho (Ismael), que chorava e  chutava o chão com os seus calcanhares. Neste momento de desespero e morte aparente, uma corrente de água surgiu de repente por debaixo dos pés de Ismael. Aquele poço passou a ser conhecido como o poço de Zamzam. Como água é o elemento principal da vida no deserto, alguns beduínos começaram a se instalar em torno do poço, e o lugar, pouco a pouco foi se tornando a cidade mais importante da Arábia, Makkah (Mecca). Séculos mais tarde, dos descendentes de Ismael veio o último profeta de Deus, o Profeta Mohammed[22], nascido em Makkah (Mecca), aproximadamente cinco séculos depois da missão de Jesus, o último profeta Israelita.

 

É interessante notar que, mesmo hoje, os montes As-Safa e Al-Marwah podem ser facilmente identificados.  De fato, a caminhada entre estes dois montes é parte dos rituais anuais do Hajj, que inúmeros peregrinos fazem todos os anos. Este ritual é feito em parte para celebrar a procura de água por Hagar, tendo começado no tempo de Ismael, bem antes do advento do Profeta Mohammed. Da mesma forma, o Poço de Zamzam, que surgiu milagrosamente por debaixo dos pés de Ismael, continua com água até os dias de hoje. Centenas e milhares de peregrinos (em torno de dois milhões recentemente) bebem a água do poço anualmente e muitos outros bebem durante o ano todo.

 

A Versão Bíblica[23]

 

A primeira esposa de Abraão, Sarah, tinha ciúmes de Hagar e do seu filho Ismael. Ela não queria que a herança de Abraão fosse dividida entre Ismael e Isaac, pois Ismael era filho de uma “escrava”. Ela estava particularmente zangada porque, segundo ela, Ismael zombava do seu irmão mais novo Isaac enquanto brincavam juntos. Este incidente ocorreu depois de Isaac ter sido desmamado.

 

Abraão obedeceu a sua esposa Sarah, cuja ordem para expulsar a “escrava” e seu filho foi abençoada por Deus, que disse a Abraão que “ouça a voz dela”.

 

Certa manhã Abraão levantou-se, deu provisões e água à sua esposa Hagar e pôs seu filho Ismael nos ombros dela, e os deixou no deserto de Beer Sheba, no sul da Palestina. Quando não lhe restava mais água, Hagar não conseguiu mais ficar sentada ali e ver seu filho morrendo. Um anjo apareceu e lhe mostrou uma corrente de água, da qual ela trouxe um pouco para o menino beber. O anjo acrescentou “Levante-se, segure o menino em suas mãos; pois eu farei dele uma grande nação”.[24]

 

Ismael viveu no deserto de “Paran”[25]. Ele teve doze filhos, dos quais um foi chamado “Kedam”[26].

 

Semelhanças Entre as Duas Versões

 

Como esta tradição (bíblica) se compara com a versão Muçulmana? Pelo menos três semelhanças entre as duas versões são aparentes:

 

i)  Hagar e Ismael foram levados da Palestina para viver no deserto (de Paran).

ii) Quando não lhe sobrou mais água, Hagar temeu pela vida de seu filho Ismael.

iii) Inesperadamente, Hagar teve acesso à água que ela deu ao menino  para salvar-lhe a vida.

 

Diferenças entre as Duas Versões

 

De acordo com a versão Muçulmana:

Hagar e Ismael foram levados devido a uma instrução divina dada a Abraão, como parte do plano divino.  No momento certo, a missão de mensageiro seria transferida dos israelitas aos ismaelitas, depois de os israelitas rejeitarem Jesus, o último profeta Israelita.

 

Hagar e Ismael foram levados ao deserto da Arábia, especificamente Makkah (Mecca), e não a Beer Sheba.

 

Este incidente ocorreu antes do nascimento de Isaac, e não depois, quando Ismael era ainda um bebê, confirmando a verdadeira razão para o exílio de Hagar e Ismael, conforme descrito acima.

 

Análise das Diferenças

 

É possível reconciliar estas diferenças? Vamos nos concentrar na última diferença: o incidente ocorreu antes ou depois do nascimento de Isaac?

 

Se fôssemos aceitar a versão bíbilica, várias contradições e inconsistências seriam encontradas.

 

Baseado na história relatada em Gen. 21:14-19, é bastante claro que Ismael era um bebê na ocasião. A documentação desta afirmação segue abaixo:

 

De acordo com Gen. 16:16, Abraão tinha 86 anos quando Ismael nasceu. E, de acordo com Gen. 21:5, Abraão tinha 100 anos quando Isaac nasceu. Segue, portanto, que Ismael tinha quatorze anos quando Isaac, seu irmão mais novo, nasceu.

 

De acordo com Gen. 21:14-19, este incidente ocorreu depois que Isaac foi desmamado. Estudiosos da Bíblia nos informam que “a criança foi desmamada aos três anos".  Portanto, Hagar e Ismael foram levados para “Paran” quando Ismael era um adolescente de dezessete anos.

 

O perfil de Ismael em Gen. 21:14-19 é, entretanto, o de um bebê e não de um adolescente. Por quê?

 

Primeiro: De acordo com o Interpreter’s Bible, a versão original de Gen. 21:14 em hebreu era: “… e põe o filho no seu ombro”. O mesmo é lido na Revised Standard Edition da Bíblia. Como pode uma mãe carregar um adolescente de dezessete anos “nos seus ombros”? Ele certamente era forte o suficiente para carregar a sua mãe! Ismael tem que ter sido um bebê!

 

Segundo: Gen. 21:15 nos informa que Hagar deitou o filho embaixo de um arbusto. Novamente, de acordo com este texto da Bíblia, Ismael tinha que ser um bebê, e não um adolescente.

 

Terceiro: Gen. 21:16 nos informa que Hagar  sentou-se distante do filho para não o ver morrendo. Este é um perfil de um adolescente de dezessete anos  que, provavelmete, era capaz de se preocupar com a mãe morrendo na sua frente? Ou é obviamente o perfil de um bebê desamparado ou, no máximo, uma pequena criança?

 

Quarto: De acordo com Gen. 21:17, os anjos pediram a Hagar que “levante-se e segure o menino”. Um jovem de dezessete anos é um objeto apropriado para ser “levantado” por uma mulher? Ou seria aquela referência a uma pequena criança, ou a um bebê?

 

Quinto: Em Gen. 21:19 somos informados de que Hagar foi encher uma garrafa de água “para que o menino bebesse”. Em vez disto, não se espera que um forte jovem de dezessete anos vá buscar água para sua mãe?[27]

 

A análise acima nos leva à conclusão inevitável de que, apesar das verdades contidas na Bíblia, existem evidências de que adições, eliminações e interpolações foram feitas em seu conteúdo, que somente uma revelação autêntica posterior (o Alcorão) poderia esclarecer. A versão Islâmica dessa história é completamente consistente e coerente de A a Z; Ismael era um bebê e Isaac ainda não havia nascido quando o incidente ocorreu.  A coerência e consistência são confirmadas por séculos de tradição e até mesmo na região de Makkah (Mecca), onde Hagar e Ismael se estabeleceram. Isto claramente indica que a verdadeira razão de seu estabelecimento na Arábia (Paran) não foram a ordem, os ciúmes, o ego ou o senso de superioridade racial por parte de Sarah; mas pura e simplesmente o plano de Deus.

 

É importante indicar que este incidente não é a única inconsistência em relação à história de Ismael. The Interpreter’s Bible compara a história de Hagar e Ismael em Gen. 21:14-19, com um capítulo anterior (Gen. 16:1-16) e conlcui: “a inclusão em Gênesis de duas histórias tão semelhantes, mas suficientemente diferentes ao ponto de serem inconsistentes, é um dos vários exemplos da relutância  dos compiladores em sacrificar quaisquer tradições estabelecidas em Israel.”[28]

 

O Símbolo do Pacto de Deus com Ismael e seus Descendentes

 

De acordo com Gen. 17:10-14, a circuncisão era considerada um símbolo do pacto com Deus e um sinal de monoteísmo, isto é, purificar-se do politeísmo.

 

A importância da circuncisão foi  mais tarde reiterada pelos estudiosos cristãos  da Bíblia, indicando não se tratar de um simples ato externo:

 

“Este era Seu próprio sinal e selo, demonstrando que Israel era o povo escolhido. Através deste, a vida de um homem era ligada a uma grande comunhão, cuja dignidade era sua elevada consciência de que devia realizar os objetivos de Deus”[29]

 

Esta imagem se completa ao referirmo-nos a Gen. 17:23-27, onde somos informados de que Abraão levou Ismael e todos os meninos nascidos na sua casa para serem circuncisados.  Comentando sobre este fato, o Interpreter’s Bible admite que os ismaelitas e outros descendentes de Abraão estavam “de alguma forma participando do pacto Abraâmico”[30]

 

 É de se notar que, até hoje, o descendente de Ismael, Profeta Mohammed, e os seus seguidores continuam fiéis a este pacto. Circuncisão é um requisito para todos os homens muçulmanos. Usando as palavras do Interpreter’s Bible, isto não significa que foi um “sinal e selo” de Deus, de que os ismaelitas também faziam parte do Seu pacto, devido ao seu compromisso de purificar sua crença de todas as formas de politeísmo e de restabelecer o puro e verdadeiro monoteísmo do seu avô Abraão? Não estão eles mais próximos do pacto Abraâmico do que aqueles que encontraram desculpas para não praticar a circuncisão?

 

Certamente várias nações do mundo foram abençoadas através de Abraão. Aqueles mais próximos de Abraão, da pureza e do alcance universal do monoteísmo por ele ensinado, e do “sinal e selo” do pacto com Deus, são hoje encontrados entre os seguidores de Mohammed, o notável descendente de Ismael.  Mesmo sem a relação sanguínea, que é indiscutível, a relação mais importante com Abraão é a relação de fé nas palavras de Deus:

 

“Abraão não era Judeu ou Cristão; mas ele era sincero em Fé, e sucumbiu a sua vontade a Deus (era muçulmano), e não associou deuses com Deus. Sem dúvida, entre os povos, os mais próximos a Abraão são os que o seguem, assim como este apóstolo (Mohammed) e aqueles que crêem. E Deus é o Protetor daqueles que têm fé.” (Alcorão 3:67-68)

 

Mais Evidências Sobre a Linhagem do Profeta tão Esperado

 A presente discussão é mais do que suficiente para demonstrar que o advento do Profeta Mohammed, um descendente de Ismael, é de fato a concretização da promessa feita a Abraão e Hagar (Gen. 21:13 & 18).

 

  Uma confirmação adicional que não deixa dúvida nenhum é encontrada no livro de Isaías (Ch. 11:1-2):

 

“E do tronco de Jesse virá um varão, e um ramo crescerá de suas raízes. E o Espírito do Senhor estará sobre ele, o espírito de sabedoria e entendimento, o espírito de aconselhamento e poder, o espírito de conhecimento, e de temor  ao Senhor.”

 

A descrição acima é de alguém que será um profeta, uma chefe de estado e um juiz, e um dos descendentes de “Jessé”. Quem é “Jessé”? E quem se encaixou nessa descrição?

 

Alguns afirmam que “Jessé” é uma referência ao pai de Davi. Entretanto, de acordo com Encyclopedia Biblica, lemos:

 

“Jessé é contração de Ismael”[31]

 

O único que veio do tronco de Ismael, e que foi um profeta, chefe de estado e juiz foi o Profeta Mohammed.

 

II

Características do Profeta Esperado – Um Profeta como Moisés

 

Segundo Deuteronômio, o Profeta Moisés (que a paz esteja com ele) disse:

 

“E o Senhor me disse,que eles falaram o que falaram? eles bem disseram o que disseram?, Eu lhes trarei um Profeta dentre seus primos, como você, e porei as minhas palavras na sua boca; e ele lhes dirá tudo que Eu ordenar” (Deutornômio 18:17-18)[32]

 

Três elementos importantes são incluidos nesta profecia: Um profeta virá dentre os “primos” dos Israelitas; este profeta será “como” Moisés; Deus porá Suas palavras na boca deste profeta.

 

Vamos analisar cada um destes elementos:

 

Um Profeta Dentre os Primos dos Israelitas

 

Estas palavras foram ditas aos israelitas.  Os primos mais notáveis dos Israelitas (descendentes de Abraão, através do seu segundo filho Isaac) são os ismaelitas (descedentes de Abraão, através do seu primeiro filho Ismael).

 

De acordo com o Hebrew Dictionary of The Bible, a palavra “primos” significa:

 

“Personificação de um grupo de tribos consideradas parentes próximos dos Israelitas”

 

A Bíblia se refera aos israelitas como primos dos ismaelitas (por exemplo, Gen. 16:21 & Gen. 25:18)

 

Um Profeta Como Moisés

 

Algumas vezes, Jesus é considerado um profeta como Moisés, pois os dois eram israelitas e instrutores espirituais. Esta profecia foi realmente sobre Jesus?

 

Para começar, Jesus era um israelita, e não um “primo” dos israelitas. Este fato  é suficiente para demonstrar que esta profecia não era sobre a vinda de Jesus, mas sobre outro profeta como Moisés. Esse outro só poderia ter sido o Profeta Mohammed.

 

Segue abaixo uma comparação de algumas das características principais de Moisés, Mohammed e Jesus, que podem clarificar a identidade “daquele profeta” que viria depois de Moisés:

 

Fato sendo Comparado              Moisés             Mohammed           Jesus

 

Nascimento                                 Normal                 Normal                  Anormal

 

Família                                 Casado, filhos        Casado, filhos        Não se casou e

                                                                                                            não teve filhos

 

Morte                                                 Normal                    Normal                 Anormal

 

Carreira                                         Profeta e chefe        Profeta e chefe         Profeta

                                                       de estado                 de estado

 

Emigração                                     para Median              para Medina         nenhuma

Forçada

 

Encontro com o                             Perseguição              Perseguição          nenhuma

Inimigos                                                                            e Batalhas

 

Resultados                                    Vitória física e        Vitória física e       Vitória moral

Do encontro                                      moral                         moral

 

Revelação                                    Durante a sua          Durante a sua        Depois dele

Escrita                                           vida (Torá)             vida (Alcorão)

 

Natureza dos                               Espiritual/legal          Espiritual/legal        Espiritual

Ensinamentos

 

Recepção da                     Aceito, depois de        Aceito, depois de      Rejeitado

sua liderança                     rejeitado                           rejeitado              pela  maioria                                                                                                                    dos israelitas

 

 

A tabela acima é clara, demonstrando, não só que Moisés e Mohammed eram semelhantes em vários aspectos, mas também que o Profeta Jesus não se encaixa nessa profecia.  As razões são descritas abaixo:

 

O nascimento de Jesus foi anormal. De acordo com crenças cristãs e muçulmanas, ele nasceu milagrosamente da Virgem Maria. Moisés e Mohammed, por seu turno, nasceram de maneira normal.

 

Tanto Moisés como Mohammed casaram e tiveram filhos. No caso de Jesus, não se sabe de nenhum casamento ou de filhos. Moisés e Mohammed morreram de forma normal e foram enterrados. No caso de Jesus, o fim da sua missão na terra foi anormal: crucificado, de acordo com a crença cristã; e elevado aos céus sem ser crucificado, de acordo coma crença muçulmana.

 

Tanto Moisés como Mohammed não só foram profetas e instrutores espirituais, mas também “chefes de estado”, cuja missão incluiu o estabelecimento de um “estado” baseado nos ensinamentos de sua fé. No caso de Jesus, tal oportunidade não ocorreu.

 

Moisés, ao saber de um plano para o matar, saiu do Egito em direção a Median, onde foi recebido e protegido por Jethro. Mohammed deixou Makkah (Mecca) ao saber de um plano para matá-lo, indo para Yathrib, que mais tarde foi chamada de Al-Madinah (Medina).  No caso de Jesus, nenhum incidente deste tipo foi reportado na sua vida adulta, e nem depois do começo da sua missão como profeta.

 

Na tentativa de destruí-lo, Moisés e seus seguidores foram vigorosamente perseguidos por seus inimigos (o exército do Faraó). Mohammed confrontou seus inimigos (os pagãos árabes), que tentaram destruí-lo e a seus seguidores, no curso de várias batalhas. No caso de Jesus, nenhuma confrontação desse tipo foi reportada. Pelo contrário, foi relatado que ele ordenou a Simão Pedro que não usasse sua espada quando este tentou defendê-lo durante seu aprisionamento.

 

O encontro de Moisés com seus inimigos terminou em vitória militar e moral. Seus inimigos foram afogados e Moisés e seus seguidores foram salvos. O encontro de Mohammed com seus inimigos terminou em vitória final, tanto militar como moral. Ele e os seus seguidores retornaram a Makkah (Mecca), o local de onde os inimigos planejaram a sua morte. Impressionados com a sua sinceridade e  magnanimidade, a maioria dos seus inimigos  tornou-se muçulmana, passando a ser seus ardorosos defensores. A vitória de Jesus contra os seus inimigos foi apenas do ponto de vista  moral, pois não envolveu uma vitória militar imediata e simultânea.

 

Os ensinamentos revelados a Moisés foram foram disponibilizados em forma escrita durante a sua vida. O Alcorão revelado a Mohammed foi completamente escrito durante a sua vida e sob sua supervisão. Os ensinamentos de Jesus não foram escritos durante a sua vida. Mesmo o primeiro Evangelho só foi escrito vários anos depois de Jesus. 

 

Diferentemente dos outros profetas da linhagem de Abraão, a revelação dada a Moisés e Mohammed continha, não só os elementos morais e espirituais do seus ensinamentos, mas também códigos penais abrangentes. Os ensinamentos de Jesus foram quase que inteiramente espirituais. De fato, Jesus nunca afirmou que trazia uma nova lei, ou que abolia a Lei existente do Velho Testamento[33]. Ele simplesmente adicionou um toque humano e espiritual à lei que havia se reduzido a um formalismo hipócrita e sem vida.  Segundo os relatos, Jesus disse: “Não pensem que Eu vim para destruir a lei ou os profetas: Eu não vim para destruir, mas para completar”.

Depois da resistência e do ceticismo inicial de seu povo, Moisés foi aceito como profeta e  líder (apesar de alguns erros como o da adoração do bezerro de ouro). Da mesma forma, Mohammed também foi entusiasticamente aceito como um profeta e líder depois da resistência inicial por parte de seu povo. No caso de Jesus, no entanto, com a exceção de alguns seguidores, ele foi rejeitado pelo seu povo (os israelitas).

Em vista da análise acima, quem é, portanto o “Profeta como Moisés”?

Deus Porá as suas palavras na Boca daquele Profeta

De um modo geral, esta descrição pode ser uma referência a qualquer mensageiro de Deus que comunica a mensagem divina à humanidade.  Apesar de a mensagem poder ser “escrita em tábuas”, como foi o caso de Moisés, as palavras do versículo abaixo, descrevem, de forma inequívoca, o tipo de revelação dado a Mohammed.  O anjo Gabriel vinha e ditava certas partes do Alcorão, que eram, então, repetidas pelo Profeta Mohammed exatamente da forma como ele as tinha ouvido. As palavras ditas por Mohammed não eram parte do seu pensamento ou criação.  As palavras de Deus foram “postas na sua boca”. O Alcorão descreve:

“O que Ele (Mohammed) diz não resulta dos seus desejos, mas simplesmente da revelação que lhe foi enviada” (Alcorão 53:34)

Várias passagens do Alcorão ordenam que Mohammed use  termos como “Qul” (Diga), “Thakkir” (Lembre) e “Nabbi” (Informe). Outras passagens do Alcorão começam com expressões como: “w’aquala Rabookum” (e seu Senhor disse…). E em outras ainda lemos: “w’ayash’loonaka… qul” (e eles te perguntam (O’ Mohammed)…. Diga..).

A análise acima se encaixa não somente com o Deuteronômio 18:18, mas também é consistente com os versículos seguintes. Por exemplo, em Deuteronômio 18:19, lê-se:

“E se tornará realidade que eu exigirei obediência dos que não obedecerem às minhas palavras que ele dirá em Meu nome”

É interessante notar que dos 114 Surahs (capítulos) do Alcorão, 113 começam com “bismillahir-rahmanir-raheem” (Em nome de Allah (Deus), o Clemente, o Misericordioso). A primeira passagem do Alcorão revelado ao Profeta Mohammed foi:

“Leia em nome do seu Senhor que criou… “(Alcorão 96:1)

Não há nenhuma outra comunidade de crentes que inicie quase todos os atos em suas vidas com a fórmula “Em nome de Allah (Deus), o Clemente, o Misericordioso”, da maneira como é feita pelos que seguem os ensinamentos do Profeta Mohammed. Deve se notar que o termo árabe “Allah” não é somente o equivalente a “Deus” em árabe, mas também é o nome pessoal de Deus. Portanto, comparado com expressões  como “Em nome de Deus” ou “Em nome do Pai”,  “Em nome de Allah” é uma realização mais completa da profecia  “… ele dirá em Meu nome” (Deuteronômio 18:19).

Uma pergunta justa, a esta altura, é: Como virtualmente qualquer um pode afirmar que o que diz é “em nome de Deus”, qual o critério que pode ser adotado para diferenciar um verdadeiro profeta e mensageiro de Deus, dos falsos profetas que afirmam fazer o mesmo?

A resposta à pergunta acima foi claramente dada nos últimos versículos do Capítulo 18 do Livro de Deuteronômio:

“E se perguntar no seu coração: como saberemos quais as palavras que não foram ditas pelo Senhor? Quando um profeta diz algo em nome do Senhor, e se o que foi dito não acontecer, aquilo não foi então dito pelo Senhor, mas presumido pelo profeta; e não o temam.” (Deuteronômio 18:21-22)

É  fato que nenhuma profecia feita pelo Profeta Mohammed tenha sido incorreta. Todas as profecias feitas sobre o futuro próximo durante o seu tempo, realmente se concretizaram. Eis alguns exemplos:

a)     a profecia de que os Muçulmanos conquistariam os dois “super-poderes” do seu tempo: os impérios persa e  bizantino. Esta profecia foi feita durante o tempo em que os muçulmanos eram tão poucos e fracos que profetizar a sua sobrevivência física deve Ter soado como uma coisa promissora.

b)     a profecia de que Suraqah (o homem que quase matou o Profeta Mohammed, quando este estava viajando para Madinah (Medina) depois dos pagãos terem planejado matá-lo) se tornaria muçulmano, participaria do exército muçulmano durante a conquista do Império Persa, e tomaria a coroa do Imperador para colocar na sua própria cabeça! Esta profecia não só pareceu praticamente impossível quando foi feita, como sua concretização foi tão perfeita  e completa, como se o Profeta estivesse vendo com os seus próprios olhos a cena que ocorreu vários anos após a sua morte.

É difícil considerar todos os fatos (que Suraqah  se tornou muçulmano, vivendo o suficiente para participar da conquista da Pérsia, que os muçulmanos foram vitoriosos e que Suraqah se apossou da coroa do Imperador) como mera coincidência ou uma profecia inventada. As chances de que inúmeras profecias deste tipo, que foram descritas detalhadamente pelo Profeta Mohammed, tenham ocorrido acidentalmente são certamente nulas. Usando o critério estipulado em Deuteronômio 18:21-22,  tal exatidão em todas as profecias não pode se originar de ninguém mais senão de um verdadeiro e genuíno profeta.

 

III

Outras Características “Daquele Profeta”

Uma outra descrição interessante e reveladora do Profeta Mohammed encontra-se no capítulo 42 do Livro de Isaías. Vamos examinar algumas das características:

Aquele no qual a alma de Deus se compraz é chamado de servo de Deus (V. 1), Seu eleito (V. 1) e Seu Mensageiro (V. 19). Em árabe, estes nomes são traduzidos como: “Abduhu warusooluhui-Mustafa”.  Certamente, todos os profetas eram servos, mensageiros e eleitos por Deus. Mas nenhum profeta é tão universalmente chamado por estes nomes como  Mohammed. O testemunho de fé dito por aquele que aceita o Islam é: “Eu testemunho que não há nenhum deus além de Allah e eu testemunho que Mohammed é Seu servo e mensageiro.”

 

A fórmula acima (“Eu testemunho que não há nenhum deus além de Allah e eu testemunho que Mohammed é Seu servo e mensageiro.”) é repetida cinco vezes por dia durante a chamada às orações (Adhan), cinco vezes imediatamente antes do início das orações (iqamah), nove vezes por dia durante as orações obrigatórias (fard) e várias vezes mais se o muçulmano fizer orações adicionais (sunnah). Desde o início da sua missão até hoje, o nome mais comum do Profeta Mohammed é Rasulullah (o mensageiro de Deus). O Alcorão lhe dá este nome. Durante a sua vida, seus seguidores o chamaram por este nome. As volumosas coleções de hadith (os ensinamentos do Profeta Mohammed) são geralmente narradas da seguinte forma: “Eu ouvi o Mensageiro de Deus dizer …”, “o Mensageiro de Deus disse ou respondeu …”.

 

Ele não falhará e nem será desencorajado até estabelecer o julgamento na terra (V. 4), ele superará seus inimigos (V. 13) e trará julgamento aos gentios(V.1). 

Comparando as vidas e missões de Jesus e Mohammed, torna-se evidente que Jesus expressou, em mais de uma ocasião, o seu desapontamento por ser rejeitado pelos israelitas. Jesus não viveu o suficiente para vencer seus inimigos (além da vitória moral que é uma vitória comum de todos os profetas).

 

Por outro lado, não achamos vestígios de desalento no Profeta Mohammed, nem mesmo nos momentos mais críticos da sua missão. Num mesmo ano, sua amada e aliada esposa Khadijah morreu depois de 25 anos de casamento, e seu tio Abu-Talib, que o protegeu da fúria dos árabes pagão, também veio a falecer. Estas duas tragédias foram combinadas com o fato de que os seus seguidores eram poucos, perseguidos e torturados.  Sob tais circunstâncias, Mohammed foi à cidade de at-Ta’if para convidar o povo a aceitar o Islam e pedir a sua ajuda na  luta contra o paganismo. Ele foi rejeitado, zombado e apedrejado até sangrar. Apesar de tudo isso, ele nunca se sentiu “desanimado”, para usarmos a expressão de Isaías  (V. 4). “Ó Allah! Perdoe o meu povo pois eles não sabem o que fazem” foi o que ele disse.

 

Quando o Anjo Gabriel ofereceu-lhe a chance de se vingar destruindo a cidade, ele se recusou, na esperança de que entre os descendentes  daquele povo perverso viriam aqueles que iriam adorar a Deus e  seu desejo foi realizado!.

 

Depois desta luta dolorosa, Mohammed “triunfou sobre  seus inimigos”, estabeleceu uma forte comunidade de crentes que, de fato, “trouxe discernimento para os gentios”, principalmente nos Impérios Persa e Bizantino. Muitos gentios foram guiados ao Islam, enquanto outros fracassaram.  Ele foi uma verdadeira “luz dos gentios” do mundo inteiro.

 

Ele não gritará, não levantará, e não terá sua voz ouvida na rua (V.2). Esta não era somente uma característica distinta e uma marca da decência de Mohammed,  mas também  a personificação da revelação que foi lhe dada. Nas palavras do Alcorão:

 

“E modera o teu andar e baixa a tua voz, porque o mais desagradável dos sons é o zurro dos asnos.” (Alcorão 31:19)

 

“Deus não gosta da palavra  rude, exceto daquele que foi injustiçado.” (Alcorão 4:148)

 

“As ilhas esperarão pela sua lei”: o único profeta que veio depois desta profecia ser feita (no tempo de Isaías), com um código penal completo, foi o Profeta Mohammed. A lei que lhe foi revelada espalhou-se por todas as partes do mundo, mesmo nas ilhas remotas e nos desertos longínquos.

 

Ele será enviado “para abrir os olhos cegos, para libertar os prisioneiros da prisão, e para libertar os que estão na escuridão” (V.7). Muitos dos que se opuseram a Mohammed e lutaram contra ele, acabaram por se tornar devotos crentes devotos. A sua cegueira em relação à verdade foi curada. Aqueles que viveram na escuridão de uma vida mundana, vieram para a luz da verdade completa, através da missão de Mohammed.

 

Não causa surpresa que o Alcorão se descreva a si próprio  como “Noeram-mubeena”, isto é, a luz manifesta. Descrevendo o Alcorão, Deus se dirige ao Profeta Mohammed:

 

“Um livro que lhe revelamos, para que você retire a humanidade da profunda escuridão (e a transporte) para a luz , através da vontade do seu Senhor, e a encaminhe até à senda do Poderoso, o Laudabilíssimo..” (Alcorão 14:1, grifos nossos)

 

A glória de Deus não será dada a outro (V. 8), a maior glória que alguém recebe de Deus é a de ser indicado como Seu mensageiro à humanidade, e receber Sua gloriosa revelação. Isto não só se encaixa com o Profeta Mohammed, mas se aplica unicamente a ele, como o último mensageiro e profeta de Deus. De fato, a glória de Deus (revelação de escrituras) não foi dada e não será dada a outro profeta depois de Mohammed, pois ele é o “selo” de todos os profetas. Já se passaram cerca 1400 anos desde que o Alcorão foi enviado e revelado a Mohammed, e não há evidência  de um profeta autêntico de porte  e influência sobre a humanidade,  que possa ser comparado a Abraão, Moisés, Jesus e Mohammed. Nem ouvimos falar de livros sagrados, depois do Alcorão, que influenciaram a humanidade do mesmo modo que o Alcorão.

 

“Cante ao Senhor uma nova nova música, e sua glória de todos os lados da terra…” (V. 10). Uma nova música pode ser uma referência a uma nova escritura, numa língua diferente da língua usada nas escrituras israelitas. Esta interpretação parece ser consistente com uma menção mais explícita de alguém que falará com o povo (incluindo os israelitas) em “outra língua” (Isaías 28:11).

 

Esta explicação parece encaixar-se com a segunda parte do mesmo versículo (Isaías 42:16), que fala da glória de Deus “de todos os cantos da terra.”  Somente no Islam é que esta profecia se concretiza com absoluta exatidão. Em todas as partes da terra, Deus e seu último mensageiro Mohammed são glorificados cinco vezes por dia, das minaretes de centenas, milhares, e talvez  milhões, de mesquitas no mundo inteiro.  Além disso, Deus e Mohammed são glorificados constantemente por milhões de devotos muçulmanos diariamente. As cinco orações diárias até incluem a glorificação de Abraão e de seus descendentes, e a de Mohammed e de seus descendentes, sendo chamada de “As-Salatul-Ibrahimiyyah”.

 

Esta pessoa esperada é ligada aos árabes, especificamente com os descendentes de Ismael (que se estabeleceu em Makkah). O versículo 11 do capítulo 42 de Isaías, não deixa absolutamente qualquer dúvida sobre a identidade “daquele profeta”:

 

“Deixe o deserto das cidades levantar suas vozes, as aldeias que Ke’dar habita; deixe os habitantes da pedra cantarem, deixe os gritar do topo das montanhas.” (Isaías 42:11)

 

De acordo com o livro de Gênesis, Ke’dar foi o segundo filho de Ismael (Gen. 25:13). O profeta mais conhecido dos descendentes de Ismael é Mohammed. Seus inimigos (que eram da sua própria tribo!), que foram desviados da verdade pelos seus líderes ou poderosos (conforme descrito em Isaías 21:17) acabaram por aceitar o Islam, e foram aceitos pelo Islam.. De fato, eles tinham razões para “levantar suas vozes”, para “cantar” a glória a Deus, e “gritar do topo das montanhas.”  Seria essa uma referência  ao grito de:

 

“Aqui venho (a Teu serviço) Ó Allah. Aqui venho. Aqui venho. Tu não tens parceiros. Aqui venho. Certamente a Glória, as Bençãos e a Soberania são Tuas.  Não há parceiros aTeu lado.”

 

Este “grito” é feito anualmente por multidões de muçulmanos de todas as partes do mundo, no Monte ‘Arafat, como parte dos rituais anuais do hajj (peregrinação).

 

O capítulo 42 de Isaías, é certamente um capítulo fascinante. Esta não é uma referência casual ou ambígua àquele servo e mensageiro de Deus que viria séculos mais tarde. Mas é uma descrição abrangente que só se encaixa no Profeta Mohammed, e em ninguém mais.  Além do mais, o capítulo associa esta descrição a Ke’dar, filho de Ismael, e nenhum outro descendente de Ismael,  além de Mohammed (que a paz esteja com ele) se encaixa  nestas descrições.


Notas:

[1] Paz e bençãos são acrescentadas ao nome do Profeta Mohammed e aos outros que o antecederam como uma expressão de amor e respeito.

[2] Alcorão 2:285. Outros versos são 2:136, 176, 3:3, 84, 5:84

[3] Ver, por exemplo, Alcorão 3:67, 2:128, 133, 3:52, 10:84, 17:31, 22:78, 3:19, 85.

[4] Ver por exemplo Alcorão 2:185, 25:1. Sobre a confirmação  de revelações passadas, lê-se: "É impossível que este Alcorão tenha sido elaborado por alguém que não o próprio Deus: mas é uma confirmação das (revelações) anteriores a ele e a elucidação do Livro indubitável do Senhor do Universo." Tambem veja Alcorão 12:111, 2:89, 101, 6:92, 46:12, 2:41, 91, 97, 35:31, 46:30.

[5]  Outras refêrencias no Alcorão incluem 2:89 (que os Israelitas esperaram por um novo profeta), 2:146-147 ( o Povo do Livro claramente conhecia o perfil do Profeta Mohammed, como conheciam seus filhos):  e 3:81 (O pacto entre Deus e os Profetas, para que estes acreditem e ajudem 'pessoalmente ou através de seus seguidores’ o mensageiro  que virá confirmar revelações passadas).

[6] De acordo com Gênesis 25:1, o Profeta Abraão (que a paz esteja com ele) também foi casado com Keturah depois da morte de Sarah. Entretanto, a ênfase do atual contexto é nos dois primeiros filhos de Abraão, cuja benção foi especificada no Alcorão e na Bíblia, como será mostrado brevemente.

[7] Deve ser notado que a poligamia não era incomum entre os israelitas, inclusive entre alguns dos profetas israelitas. Mesmo “O Amigo de Deus”, o Profeta Abraão, que foi abençoado por Deus e através do qual as famílias do mundo foram abençoados (Gen. 12:2-3, 17:4), era polígamo, e certamente por uma boa causa.

[8] De Acordo com a crença Muçulmana, Davi e Salomão (que a paz esteja com eles) foram, não somente “reis”, mas profetas de Deus.

[9] O Alcorão deixa claro que Jesus foi um dos grandes profetas de Deus. Para uma maior discussão deste aspecto, veja 'Jesus no Alcorão' por Jamal A. Badawi, Islamic Information Foundation (por vir, InshaAllah)

[10] e.g., que Ismael (que a paz esteja com ele) teve doze filhos, um deles sendo “Kedar” (Gen. 25:13). Outras menções sobre “Kedar” serão discutidas mais tarde.

[11] Referências específicas de fazer de Ismael uma “grande nação” ocorrem em Gênesis 21:13,18. Estes versículos chaves serão discutidos mais tarde.

[12] The Interpreter’s Bible, Abingdom Press, N. Y., 1952, Volume 1, p. 605. Ênfase adicionada.

[13] `E Sarah, esposa de Abraão, deu-lhe sua escrava Hagar, a Egípcia, para que fosse esposa de Abraão, depois deste ter vivido dez anos na terra de Canaã.’ (Gênesis 16:3, ênfase adicionada).

       `

[14] Veja por exemplo Gen. 21:13. Em outros versículos Ismael é chamado de filho de Abraão;

      `E Hagar deu um filho a Abraão; e Abraão chamou o seu filho, dado por Hagar de Ismael’. (Gênesis 16:15. Ênfase nossa)

     `E seus filhos Isaac e Ismael o enterraram…’ (Gênesis 15:9. Ênfase nossa

[15] Interpreter's Bible, op. cit., volme 2, p. 461. Ênfase adicionada.

[16] Interperter’s Bible, op. Cit.Volume 1, p. 575. As citações referidas são lidas na Bíblia da seguinte forma:

   `E quando o Senhor seu Deus entregá-los, e quando vós os vencerem,  destruam-nos; não  façam  pactos com eles, e não sejam misericordiosos com eles.’ (Deuteronômio 7:2)

   `Quando chegarem perto de uma cidade contra quem combaterão, ofereçam condições de paz. E se responderem com paz e se abrirem a vocês, então toda a população deve ser forçada a lhes servir. Mas, se não fizerem paz com vocês, e guerrearem contra vocês, então os ataquem; e quando o Senhor seu Deus lhes  der a vitória, matem os homens, mas as mulheres, crianças, o gado, e todo o resto na cidade serão seus despojos de guerra; e gozem deste resto deixado por seus inimigos e que lhes foi dado pelo Senhor seu Deus. Assim deverão repetir em todas as distantes cidades, que não forem partes das nações daqui. Mas nas cidades desses povos que o Senhor seu Deus lhes deu como herança, não deixem nada vivo, destrua-os completamente, os Hititas e os Amoritas, os Cananitas e os Perizitas, os Hivitas e os Jebusitas, como  foi comandado pelo Senhor seu Deus. (Deuteronômio 20:10-17)

[17] Na introdução ao Interpreter’s Bible, é dito:

    “E os nossos editores e contribuidores confessam, como homens de convicção, que Deus é Cristo para nós humanos, e descendeu… e se tornou humano, para nossa salvação”.

    A Bíbilia também foi descrita como “A Presente Maravilha da verdade celestial”, Interpeter’s Bible, op. cit., vol 1, p. XV and XVIII.

[18] Interpreter’s Bible, Ibid. vol. 1, p. 604

[19] O Interpreter’s Bible, comentando sobre esse capítulo (Gen. 17), afirma que a Abraão foram prometidas três coisas: ser o pai de várias nações;  que Deus será “seu Deus e dos seus descendentes”; a posse eterna da terra de Canaã “. Ibid, vol.1, p. 611.

[20] Interpreter’s Bible, Ibid, Vol.1, p. 615. Ênfase adicionada.

[21] Na versão Muçulmana, o estabelecimento de Hagar e Ismael (que a paz esteja com ele) em “Paran” não ocorreu devido aos ciúmes de Sarah. Isto vai ser discutido mais tarde. Uma pergunta interessante sobre a citação acima (Vol.1, p. 615) é: Por que os editores estão se referindo a Ismael como o “suposto” filho mais velho de Abraão, se na Bíblia isto foi apresentado como um “fato”? Existe aqui a possibilidade para “suposições”? Pode-se questionar que este seja mais um exemplo da atitude negativa perante os Ismaelitas; a continuação da mesma atitude parcial  com que os editores do Interpreter’s Bible não pareciam satisfeitos,  Vol 1. P. 575 (veja a nota de rodapé 420). Entretanto, deve-se reconhecer  que afirmações menos parciais foram feitas em algumas partes. Por exemplo, é afirmado sobre o comentário de Gen. 17:4:

   “ A primeira promessa de Deus é que Abraão será o pai de uma multitude de nações.” Isto não se refere somente a Israel mas também aos Ismaelitas, os Edomitas, e às nações cujos ancestrais estão listados em 25:2-4, dos quais todos foram considerados como descendentes de Abraão, Interpreter’s Bible, ibid. Volume 1, p. 609. Ênfase adicionada.

[22] Este foi a realização divina da oração de Abraão:

    “Ó Senhor! Faça-me observante das orações, assim como a minha prole! (Alcorão 14: 40) 

É interessante notar que, no Islam, o muçulmano deve rezar pelo menos cinco vezes por dia. Cada uma destas orações contém pedidos de benção sobre Abraão e seus descendentes (Compare com Gênesis 12:3). Uma oração mais explícita de Abraão é a seguinte:

“Senhor Nosso! Envie-lhes seu próprio Apóstolo, que lhes mostrará Seus sinais e os ensinará a escritura e conhecimento, e a purificação." (Alcorão 2: 129) 

[23] Veja Gênesis 21:9-21

[24] Gênesis 21:18

[25] Gênesis 21:21

[26] Gênesis 25:13

[27] Um comentário interessante e relevante, do ponto de vista Cristão, é feito no comentário de Gênesis Ch. 21:

   “Onde ele está” se refer e-se ao local do bem mencionado ponto sagrado dos Ismaelitas, em V. 19

   Interpreter’s Bible, op. cit., Volume 1, p. 639. Grifos nossos.

Note-se que o poço-local mais sagrado entre os Ismaelitas é o poço de Zamzam, em Makkah (Mecca).

[28] Interpreter’s Bible, Ibid, p. 604

[29] Interpreter’s Bible, Ibid, .p. 613

[30] Interpreter’s Bible, Ibid, p. 616

[31] Cheyene, Encyclopedia Biblica em “Nomes”. Se aquela profecia fosse sobre Jesus (que a paz esteja com ele) seria dito simplesmente: “… do tronco de Davi..”. Davi, e não o seu pai, era uma figura mais proeminente no Velho Testamento. Seria mais lógico relacionar Jesus com Davi (que a paz esteja com ele), como foi feito por alguns autors do Evangelho, referindo-se a Jesus como descendente de Davi.

 

[32] Note, em Atos 13:22-23, a tentativa de Paulo de interpretar esta profecia como uma referência a Jesus, que, sendo Israelita,  não era descendente de Ismael (Jessé), nem um primo dos Israelitas.

 

[33] Mateus 5:17

 

Livro original 'Muhammad in The Bible' do Dr. Jamal Badawi, publicado pela Islamic Information Foundation, Canadá, que autorizou a sua veiculação neste site.

 

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