Protesto Contra a Veja
 

 

 

 

Assalamu alaikum e olá

 


 

 

A revista VEJA do dia 23/09/2001 publicou uma reportagem irresponsável e tendenciosa que ofendeu os muçulmanos no Brasil.

Sem dúvida, neste momento em que todos os muçulmanos estão sendo vistos como terroristas, e sendo ainda mais discriminados que o habitual, a atitude da revista não poderia ter sido pior.

Considerando que nem sempre a revista VEJA dá o direito de resposta devido àqueles que ofende ou calunia, este pequeno espaço está sendo aberto para serem postadas todas as cartas de protesto enviadas à revista .

Infelizmente o alcance da revista VEJA é muito maior do que o deste espaço, e isto por si só já caracteriza a falta de seriedade e responsabilidade de seus editores, mas é um meio de não deixar passar em branco nossa indignação.

É importante que a comunidade se manifeste e expresse a sua indignação. Não devemos ficar apenas reclamando das injustiças e distorções da mídia, mas também temos que agir.

Seria fundamental que os muçulmanos contatassem as entidades islâmicas regionais e nacionais, cobrando uma providência enérgica em relação à revista.

Para aqueles que ainda não escreveram para a Veja  mas gostariam de escrever, o e-mail da revista VEJA é veja@abril.com.br

Abaixo estão postadas as cartas já enviadas para a revista VEJA,  e cujas cópias foram enviadas.

 

Não se cale!

Proteste!

 


 

 Terrorismo Semanal

Gostaria de tornar público meu repúdio sobre o conteúdo das últimas reportagens dessa revista. Como leitor e cidadão fiquei perplexo e enojado com o tom das matérias.

Nunca foi segredo a posição ambígua da revista em questão. Ao mesmo tempo que age como arauto da moralidade e da ética assume posições que promovem o que há de pior no chamado "establishment".  Na atual conjuntura, seria impossível esperar por isenção de quem simplesmente desconhece esse conceito. Porém, a revista nas últimas duas edições se superou. Foi covarde, xenófoba,  antiética e vil.

Afinal quais seriam os sórdidos propósitos dos terroristas de redação? Seria promover uma campanha contra cidadãos brasileiros muçulmanos que residem, estudam, trabalham e, portanto, se constituem em uma comunidade com todos os direitos e deveres como qualquer outro brasileiro.

Ou seria talvez se aproveitar do desconhecimento da população para atacar estrangeiros residentes nesse país?

Desde quando foi promovido por qualquer grupo de descendentes ou de estrangeiros de origem árabe ou de outra nacionalidade de religião muçulmana, qualquer ato terrorista em território nacional?

Querem dar início a uma limpeza étnica?

Querem  criar um estereótipo de brasileiros? Talvez uma versão tupiniquim do "wasp" ianque.  

A revista obviamente se aproveita do momento difícil para todos, diga-se de passagem, para exibir todo seu arsenal de preconceitos e do falso "politicamente correto". 

Assim como outros muitos cidadãos podem ter certeza, estou avaliando o ultimato idiota daquele medíocre que infelizmente ocupa a Casa Branca. Ou se está com ele ou se está contra ele. Naturalmente a "Veja" já se decidiu com quem ficará.

Se vale o velho adágio: "Diga-me com quem andas que te direi quem és". Quanto a mim e muitos outros brasileiros, entre Osama bin Laden e a dobradinha "Veja/Bush" eu prefiro o “antes só, que mal acompanhado". 

 Tufy Cairus

 


 

Indignação

Estou indignada com a exposição tendenciosa, xenófoba e preconceituosa do Islam da revista VEJA desta semana.

Na página 47 a revista argumenta : "como convencer os muçulmanos de que a guerra é contra o terror, não contra o Islã?" . Mais adiante, porém, na página 113 a revista expõe claramente sua própia "guerra-santa" contra a religião, apresentando visões distorcidas e desrespeitosas sobre o profeta Muhammad, afirmando que ele teria criado a religião a partir das tradições judaicas e cristãs.

Em se tratando de "introduções gerais"sobre religiões, será que igualmente afirma-se por aí na midia que o cristianismo foi uma invenção de Jesus a partir de fontes judaicas, ou que o budismo foi uma invenção de Buda a partir do hinduísmo?

Sobre a condição da mulher muçulmana por exemplo, afirmou-se falsamente que ela não pode estudar, trabalhar, nem receber herança, sendo que tudo isso é permitido pela religião, sendo a herança e o estudo inclusive direitos corânicos da muçulmana.

O fato de muçulmanas terem seus direitos não respeitados em lugares como o Afeganistão, por exemplo, não quer dizer que isso ocorra em todas as comunidades e países de maioria ou minoria muçulmana.Há milhares de muçulmanas no mundo que trabalham, estudam, cuidam de seus filhos e lares e certamente obtêm o apreço daqueles que as cercam, muçulmanos e não-muçulmanos! 

Assim como a intolerância e o radicalismo podem ser infelizmente frutos da miséria e da ignorância, podem também ser usados como armas mal-intencionadas para a formação de opiniões equivocadas e generalizadas, o que é ainda mais lastimável!

Uma urgente e real retratação seria o mínimo para uma revista que quer se manter com dignidade no mercado da informação.

 Khadija Grossmann


O Mundo do Islã

Boa Tarde

Gostaria muito de me dirigir à sua pessoa com tanta intimidade quanto a  que  você   fala do Islamismo, mas não encontrei sequer seu nome  na reportagem.

Sou brasileira, moro na cidade onde está concentrada a  maior colônia árabe do Brasil, e pela vontade de DEUS  ou de Alá, se você preferir já que para mim os nomes não mudam a fé que tenho no Criador,  sou muçulmana convertida há quase 11 anos. Tenho muito orgulho de admitir que foi  em grande parte por causa de pessoas como você que descobri a verdadeira religião.

Você sabe daquele ditado “quem desdenha quer comprar”?  Pois é amigo(a) eu agradeço as suas falsas informações acerca do Islam, pois elas despertam curiosidades em pessoas que têm bom senso.  Ninguém em sã consciência acredita em algo sem pelo menos ouvir uma segunda opinião, não é mesmo?

Este tipo de reportagem é válida, pois quem já conhece o Islam não acredita e quem não conhece, ou  busca saber  a realidade ou se deixa levar por pessoas levianas como as que escrevem estes tipos de texto.

Na minha opinião, um jornalista como você é muito mais perigoso do que o próprio Bin Laden (nota:  ainda não há provas contra ele)  pois impõe a discriminação, o racismo e o preconceito nos seres menos capazes de pensar por si próprios.

Ao contrário do que você afirma, eu uso lenço, me cubro totalmente e ainda assim sou universitária,  dirijo, e só não trabalho porque não  quero, não apanho do meu marido , ele não é casado com outras três (se ele fosse de outra religião seria normal que ele tivesse várias amantes, mas como ele é muçulmano é abominável imaginar que se case com mais de uma mulher certo?) .

Infelizmente eu não posso convencê-lo(a) através de um simples e-mail, afinal não tenho todo esse poder da mídia, mas confio piamente que você só escreveu isso porque sabe que vende.  Afinal está na moda atacar o Islmismo e isso é válido até e principalmente para ganhar dinheiro. 

Às vezes agimos assim mesmo, não nos importamos com o que as pessoas vão sentir. Não é de nossa conta se alguém vai  apontar uma criança na rua e discriminá-la, se vamos despertar o ódio ou o desejo de “justiça infinita”, o importante  é que  ganhamos nosso dinheirinho.  As  pessoas, principalmente certos jornalistas, já estão condicionadas a dormir tranquilas  depois de uma matéria “bem feita”.

À você, desejo sinceramente que tenha tanta saúde e força de vontade para escrever quando tiver que relatar o número de pessoas que morrerão por causa  de notícias como a sua.  (se é que alguém vai falar sobre isso, já que não vende).

Gostaria de salientar que em momento algum eu quis te agredir, não é nada pessoal, é só um desabafo. Na realidade gostaria muito de me comunicar com você, e estou a disposição , se quiser me responder, mas desde já lhe peço, esqueça seu lado “jornalista”e me escreva como ser humano, quem sabe possamos até construir idéias novas acerca do triste momento em que estamos vivendo.

Obrigada e que A Paz de Deus Esteja com você.

  Rosane Shehadeh

 


 

Saudaçoes,

Com a relaçao a reportagem “O mundo do Islam” gostariamos de esclarecer o seguinte:

Ala nao eh uma divindade a parte, mas o mesmo de Deus de Abraao, Jesus e todos ou outros profetas da mesma forma como dizer God em ingles.

O Islam de forma alguma proibe as mulheres de estudarem ou trabalharem sendo que o proprio profeta Maome (Muhammad) casou-se com uma “empresaria” elas tem sim direito a herança (nisso ha uma celebre narraçao sobre o profeta quando um companheiro seu quiz doar todo seu dinheiro assim que morresse e o profeta ao saber que tinha o homem uma filha unica ordenou que ele deixasse para ela no minimo dois terços do patrimonio) e quanta a penalidade de adulterio, a mesma se aplicaria ao homem.

Os pilares do Islam que todo convertido brasileiro aprende nao sao bem da maneira como voces colocaram: o primeiro deles eh realizar o testmunho de Fe de que nao ha outra divindade a nao ser Deus, Criador do Universo, e que Maome (Muhammad) eh Seu profeta.

A zakat eh obrigatoria mas pode ser dada a instituiçoes de caridade responsaveis ou diretamente a alguem necessitado.

A peregrinaçao a Meca eh obrigatoria uma vez na vida para quem tiver condiçoes de empreende-la.

A traduçao da palavra “Islam” ensinada a todos aqueles que vem a uma mesquita para conhecer a religiao eh: “submissao a vontade de Deus” e jamais foi usada como “rendiçao dos infieis”.

No sabado, a Folha de Sao Paulo divulgou uma noticia que coloca em duvida as investigaçoes realizadas pelo FBI americano ja que varios dos suspeitos foram citados erroneamente e alguns deles ainda estao vivos e seus pais

Inclusive foram entrevistados por TVs do mundo; portanto absolutamente nada ate hoje ficou comprovado contra qualquer muçulmano.

Infeliz o fato de uma reportagem ser publicada tao cheia de erros e distorçoes o que so agrava o estereotipo criado no ocidente a respeito do Islam e dos muçulmanos.

Deixamos o convite a todos de que as mesquitas estao de portas abertas para quem quiser conhecer o Islam a fundo.

E que Deus os ilumine.

Departamento de Divulgaçao Mesquita de Cuiaba


 

Senhor Editor,

A propósito da matéria publicada nessa revista sob o título "O Mundo do Islam", gostaria de, primeiramente, manifestar meu mais profundo repúdio pela forma irresponsável como o autor tratou do assunto, para depois, apresentar alguns esclarecimentos que se fazem pertinentes, para que a verdade seja restabelecida, e seus leitores possam ter acesso a uma informação com um mínimo de qualidade . Afinal, creio, faz parte da boa técnica jornalística manter seu público bem informado através de dados que, no mínimo, devem ser checados, com a finalidade de se evitar inverdades, distorções, má-fé, falsas interpretações.

Quero crer que o jornalista foi induzido a erro ao analisar fatos que não correspondem à verdade e que, ao que parece, não fazem parte de sua bagagem de conhecimentos. Seria tão mais fácil para ele e menos oneroso em termos de credibilidade para a Revista, recorrer a analistas e historiadores competentes e, principalmente, não muçulmanos, imparciais, portanto, em sua análise. O Islam não se estabeleceu nos países, antes pelo contrário, os países é que se estabeleceram no mundo islâmico, obedecendo a uma lógica própria dos poderes hegemônicos ocidentais no final do século XIX e início do séc. XX. A constituição desses novos estados nacionais, ao ignorar as especificidades de cada região, aspectos étnicos e culturais próprios, só serviu para criar áreas de atrito que hoje se refletem no mundo ocidental, de que são exemplo a Palestina, a Caxemira, a Chechënia, a Iugoslávia, os países africanos, e, claro, o Afeganistão. E certamente que a solução desses conflitos não passa pelo confronto bélico ou o uso da força, até porque a história provou serem ineficazes.

O muçulmano não considera o Profeta Mohammad o mais importante de todos, numa competição tola para ver quem é o melhor. O muçulmano crê que todos os profetas foram enviados com mensagens específicas para o seu tempo e povos, e o Profeta Mohammad foi o último dos profetas, quando Deus considerou Sua religião completada. Nisso não há qualquer juízo de valor, ele apenas foi o último, até o final dos tempos.

O Islam não discrimina, não prega o fanatismo e não oprime a mulher. O Islam prega a igualdade e cria as condições para que a mulher usufrua os direitos concedidos por Deus. A mulher muçulmana dispõe de toda uma legislação a seu favor. Há 1400 anos atrás ela teve garantido os direitos ao divórcio, à herança, à propriedade, à personalidade jurídica, ao voto. A sua luta, portanto, não é contra o Islam e sim contra as barreiras sociais e culturais que a impedem de exercer plenamente os direitos que lhe foram assegurados. Certos costumes praticados em algumas comunidades muçulmanas têm mais a ver com hábitos culturais ancestrais e pré-islâmicos do que com o Islam propriamente.

Sabemos que a mulher é discriminada no mundo inteiro, independente de sua origem ou religião, o maior contingente de analfabetos está na população feminina, ela é vítima da violência, que começa em casa, recebe um salário menor, etc. Mas é nas sociedades capitalistas ocidentais, onde as relações interpessoais são marcadas pela violência, que o exercício do poder emerge de uma forma mais evidente, mesclado com o abuso da autoridade do mais forte em relação ao mais fraco, do rico em relação ao pobre, do bonito em relação ao feio, do branco em relação ao preto, do ocidente em relação ao oriente e, como não poderia deixar de ser, do homem em relação à mulher.

"Islam" é uma palavra árabe que significa "submissão à vontade de Deus" e não "rendição de infiéis", como pretende o autor da matéria. Esta palavra tem o mesmo radical da palavra árabe "salam", que significa "paz". Portanto, o muçulmano crê que, para se alcançar a verdadeira paz de espírito e segurança no coração, deve se submeter a Deus e viver de acordo com a mensagem que Ele enviou, e não à vontade dos homens. O fundamentalismo, o totalitarismo, o radicalismo, a declaração de guerra, o terrorismo de estado, não partem dos muçulmanos e sim de um poder hegemônico que, este sim, submete pela força nações inteiras, usando dos mais baixos expedientes e de um maniqueísmo ultrapassado e retrógrado, para implantar valores que ele julga os melhores para a humanidade.

O fato de não gostarmos do diferente e de não percebermos aquilo que escapa a nossa compreensão não nos dá o direito de desqualificá-lo, de apagá-lo, de eliminá-lo do mapa. Que o confronto se dê no campo das idéias, sei que muito difícil hoje em dia, mas não custa tentar.

Atenciosamente

Mônica Muniz

 


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