O Islam permite a Escravidão

 

O Islam permite a Escravidão?


Pergunta: Eu sou um Capitão do exército do Paquistão e gostaria de saber se nós podemos ter relações sexuais com mulheres que podemos capturar em guerras? Eu ouvi que em uma das guerras no tempo do Profeta (sws), o exército muçulmano inteiro estuprou mulheres oferecidas a eles contanto que eles praticassem ‘Azal (coito interrompido).



Resposta: Bem, eu receio que você não possa. Como a questão que você levantou é importante, eu vou dar-lhe uma resposta detalhada:

Na minha opinião, dentre muitas outras idéias equivocadas sobre o Islam, está a noção de que o islam aprova a escravidão e permite que seus seguidores escravizem prisioneiros de guerra, particularmente mulheres e estabeleçam relações extra conjugais com elas. O Islam, eu afirmo fortemente, não tem a menor ligação com escravidão e concubinato. Pelo contrário, proíbe completamente essas práticas. É absolutamente ofensivo associar tais barbaridades com uma religião revelada para tornar a humanidade melhor.

O ponto que precisa ser compreendido e que, talvez, seja a causa real do mau entendimento é que o Islam adotou um processo gradual para abolir a instituição da escravidão por causa das condições sociais predominantes na Arábia naquele tempo. Deve-se ter em mente que a escravidão era uma parte integral da sociedade Árabe pré-Islâmica. Havia montantes de escravos homens e mulheres em quase todas as casas. Isso ocorria na maioria das vezes devido à duas razões: Primeiro, durante aquela época, a prática padrão de administrar prisioneiros de guerra era distribui-los dentre aqueles do exército que os capturaram. Segundo, haviam grandes mercados de escravos na Arábia naquele período onde tanto homens como mulheres de todas as idades eram vendidos como animais.

Nestas circunstâncias onde a escravidão tornou-se um componente essencial da sociedade Árabe, o Islam adotou um método gradual para eliminá-la. Uma ordem imediata de proibição teria criado enormes problemas sociais e econômicos. Tornar-se-ía impossível para a sociedade satisfazer as necessidades de um enorme exército de escravos, que eram dependentes de várias famílias. Também, o tesouro nacional não estava em condições de manter a todos eles permanentemente. Um grande número dentre eles era de idosos e incapazes de se sustentarem. A única alternativa que restaria para eles, se fossem libertados instantaneamente, seria apelar para a mendigagem e tornarem-se um fardo econômico para a sociedade. A questão sobre escravas meninas e mulheres era ainda mais crítica, tendo-se em vista seus próprios baixos padrões morais. Libertá-las, todas de uma vez, teria apenas resultado em um enorme aumento nas casas de prostituição.

Talvez, a razão por trás dessa erradicação gradual possa ser entendida melhor se considerarmos a posição que o juros ocupa na economia do Paquistão hoje. Ninguém pode negar que a estrutura econômica nacional do Paquistão é orientada pelo juros. O modo como o parasita do juros mutilou a economia nacional é aparente para qualquer olhar perspicaz.

No entanto, não há como negar o fato de que sem ele nosso sistema econômico atual não pode sustentar-se. Qualquer pessoa razoável vai reconhecer que hoje, se um governo deseja livrar a economia dessa ameaça, apesar da sua total proibição no Islam, terá que adotar uma metodologia gradual. Durante este período interino, negócios orientados pelo juros terão que ser tolerados e leis temporárias terão que ser decretadas para dirigi-los, da mesma forma como o Q’uran deu certas ordens provisórias sobre escravos durante o período interino de sua erradicação gradual. Uma estrutura econômica alternativa terá que ser firmemente incorporada no lugar da que existia. Uma abolição repentina, sem outra base paralela, iria apenas apressar o colapso total do sistema econômico, o que, é claro, seria desastroso para o país.

Para evitar um desastre similar e para proteger contra uma catástrofe similar, o Islam adotou um esquema progressivo e gradual, mil e quatrocentos anos atrás, para acabar com a instituição desumana da escravidão. A seguir estão algumas das medidas que o Islam tomou a este respeito:

1. No princípio do período Makkan, declarou que a libertação de escravos era um grande ato de piedade. As primeiras surahs Makkan apelaram para os muçulmanos libertarem tantos escravos quanto pudessem.

2. O Profeta (sws), claramente, ordenou aos muçulmanos que elevassem o padrão de vida dos escravos e os tornassem iguais aos seus próprios. Isto, é claro, pretendia desencorajar as pessoas a continuarem com os escravos.

3. Para a expiação de muitos pecados a emancipação de escravos foi divinamente ordenada.

4. Todos os escravos homens e mulheres que tinham condições de manter-se na sociedade sozinhos foram guiados para casar entre si,

5. Uma seção permanente no tesouro público foi estabelecida para libertar escravos homens e mulheres.

6. A prostituição, que era amplamente praticada por mulheres escravas, as quais eram na maioria das vezes forçadas por seus senhores a agirem assim, foi completamente proibida.

7. Os nomes ofensivos de ‘abd (escravo) e amah (escrava) pelos quais escravos homens e mulheres eram chamados, foram abolidos, assim as pessoas deveriam parar de tratá-los por escravos. Em seu lugar, as palavras fata (rapaz) e fatat (moça) foram introduzidas.

8. Finalmente, a lei de mukatibat proporcionou acesso muito fácil à liberdade pelos escravos. A todo escravo que fosse capaz de manter-se sozinho era permitido pela lei tornar-se livre, contanto que ele desse uma certa quantia monetária para o seu senhor ou que cumprisse algumas missões para ele. Depois disso, ele poderia viver como um homem livre. Uma seção especial do tesouro foi estabelecida para esse fim; também, pessoas ricas eram incitadas a ajudar os escravos a esse respeito. O resultado líquido dessa lei foi que apenas os incapacitados ou escravos idosos permaneceram para ser mantidos pelos seus senhores, os quais não só favoreceram a si próprios mas também evitaram que esses escravos se tornassem um fardo para a sociedade.

Quanto à guerra a que você se referiu, deixe-me corrigi-lo em sua informação.

Na batalha de Bani Mustaliq, os prisioneiros capturados foram libertados no campo de batalha como um favor, enquanto outros foram libertados por resgate. O Profeta (sws) trouxe os prisioneiros restantes para Madinah e enquanto aguardava que suas famílias os procurassem, deu-os em custódia temporária a seus Companheiros (rta). Como naquele tempo, a proibição da escravidão estava passando pelo período interino quando ainda estava intacta por razões relatadas anteriormente, o Profeta (sws) aceitou o direito dos senhores de terem relação sexual com mulheres escravas, como era a lei internacional naquela época, mas pôs-se a tomar medidas para prevenir que isso realmente acontecesse. Deixe-me explicar a medida mais importante que foi tomada:

Dentre os prisioneiros desta batalha estava Sayydah Jawayriyyah também. O pai dela chegou com alguns camelos para o resgate. O Profeta (sws) perguntou sobre os camelos que ele tinha escondidos atrás. Isso o espantou tanto – pois ele sabia que não havia jeito de o Profeta (sws) ter tido conhecimento sobre eles – que ele aceitou a fé. Na mesma ocasião, Sayydah Jawayriyyah também aceitou a fé. O Profeta (sws) propôs casamento a ela, ao que seu pai consentiu. Assim, o casamento foi celebrado. O resultado desse casamento foi que todos os prisioneiros de guerra restantes foram libertados pelos soldados muçulmanos, já que eles consideraram inapropriado manter parentes do Profeta (sws) em cativeiro.

Então na verdade, tal caso de relação sexual com escravas nunca ocorreu. É completamente errado que elas foram estupradas. Ainda hoje, no que diz respeito a prisioneiros de guerra, eles não podem ser tomados como escravos ou servir para benefício sexual. Após a abolição da escravidão que ocorreu no tempo do Profeta (sws) como descrito acima, ninguém se atreveu a maltratar um prisioneiro de guerra, quanto mais hostilizá-los sexualmente.

 

Retirada do site islâmico Renaissance que permitiu a sua utilização no Islamic Chat. Traduzida pela irmã Noora.

Fonte (em inglês): http://www.renaissance.com.pk/aprq12y2.html

 

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